UNICEF e Asserte realizam 1º Ciclo de Formação do Selo UNICEF em Alagoas

O UNICEF e a Asserte realizaram, no dia 27 de agosto, o 1º Ciclo de Formação do Selo UNICEF: Caminhada dos Direitos de Crianças e Adolescentes, no Centro de Inovação do Jaraguá, em Maceió. O encontro reuniu 270 profissionais de 85 municípios alagoanos e marcou o início da edição 2025-2028 do Selo no estado.

Na abertura, a chefe do escritório do UNICEF para Alagoas, Pernambuco e Paraíba, Immaculada Prieto, destacou a importância histórica da adesão no estado. “Estamos celebrando 75 anos de cooperação do UNICEF no Brasil, sendo 25 deles dedicados ao Semiárido. Nesta edição, tivemos uma adesão recorde: 94 municípios alagoanos. Nosso desafio é reduzir desigualdades étnico-raciais e garantir que as conquistas cheguem também a crianças negras, indígenas, quilombolas e ciganas”, afirmou.

Representando o Governo do Estado, a secretária da Primeira Infância (CRIA), Caroline Leite, reforçou o compromisso institucional com a pauta. “Hoje, eu estou aqui como uma mulher preta, neta de quilombola, que só chegou até este espaço porque teve oportunidades. Agora, o nosso dever é ampliar essas oportunidades para todas as crianças. A corrida é contra o tempo: precisamos que o Estado chegue antes da fome, da violência e do racismo. Contem com o Governo de Alagoas para estar de mãos dadas com o UNICEF e com os municípios”, ressaltou.

O evento também contou com a participação de representantes dos povos indígenas e quilombolas. A cacica Nena Izidório, do povo Karapotó Terra Nova, em São Sebastião, defendeu o reconhecimento dos direitos das crianças indígenas. Já o líder do movimento negro em Alagoas, Helcias Pereira, do Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô, reforçou a importância do Selo UNICEF como espaço de enfrentamento ao racismo. “O UNICEF e a Asserte têm sido parceiros fundamentais para fortalecer nossa luta. O Selo UNICEF é um instrumento para que possamos garantir infância livre de racismo e com mais oportunidades nos territórios tradicionais”, afirmou Helcias.

 A presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (CEDCA/AL), Isabela Larisse, ressaltou a centralidade da participação juvenil. “O Comitê de Participação de Adolescentes (CPA) será uma exigência nesta edição do Selo. Não é burocracia: é direito de cada adolescente opinar sobre as decisões que afetam sua vida. É fundamental que os municípios implantem esses comitês e valorizem o protagonismo juvenil”, destacou.

Já o jovem Luiz Fernando, do Quilombo Paus Preto, em Monteirópolis, deu um depoimento sobre sua trajetória no Núcleo de Cidadania de Adolescentes (NUCA). “O NUCA me abriu portas. Conheci o Estatuto da Criança e do Adolescente, o Estatuto da Igualdade Racial e tive oportunidades que transformaram minha vida. Quero que mais adolescentes tenham essa chance”, disse ele, que agora é mobilizador de equidade étnico-racial do Selo UNICEF do seu município.

O consultor de Monitoramento e Avaliação da Asserte, Mirley Jones, reforçou a importância dos articuladores e mobilizadores municipais no processo de certificação. “Não existe Selo UNICEF sem articuladores comprometidos. Nosso objetivo não é apenas manter a adesão recorde, mas também conquistar um número histórico de certificações. O que nos importa é ver crianças e adolescentes tratados como prioridade absoluta”, afirmou.

Formação – Articuladores, mobilizadores de adolescentes e de equidade étnico-racial acompanharam ao longo do dia uma programação com conteúdo centrais da metodologia do Selo UNICEF. Os participantes tiveram acesso ao diagnóstico da situação da infância e adolescência em Alagoas, com indicadores de saúde, educação, violência e acesso à água, que servirão de linha de base para o monitoramento até 2028. O encontro também orientou sobre o sistema de monitoramento de indicadores e de pontuação, explicou os preparativos para o 1º Fórum Comunitário a importância e como deve ser realizada a criação dos NUCAs, além da elaboração do Plano de Participação Cidadã de Adolescentes (PPCA).

Como diferencial desta edição, a presença transversal da abordagem étnico-racial em todas as etapas também foi destaque na programação. Até 2028, o Selo UNICEF oferecerá suporte técnico às gestões municipais por meio de formações, acompanhamento metodológico e monitoramento contínuo, buscando fortalecer ações de saúde, educação, assistência social, participação cidadã e proteção contra a violência. “Cada semestre precisa ser de avanços. Queremos que esta edição seja lembrada como aquela que ajudou a reduzir desigualdades e garantir dignidade para todas as crianças de Alagoas”, concluiu Immaculada Prieto.